Corrida do ouro na Venezuela pode ter vitória de Maduro

Em meio à pandemia e caos econômico, país tenta reaver 1 bilhão de dólares de recursos que estão retidos em banco britânico

Depois de meses de disputa, Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, parece estar mais perto de colocar as mãos em toneladas de barras de ouro do país armanezadas no Banco da Inglaterra, em Londres.

A Venezuela depositou nos cofres da instituição financeira mais de 1 bilhão de dólares em ouro, e agora quer que o recurso seja devolvido ao país. Desde o início do ano, o governo venezuelano vem pressionando o Banco da Inglaterra para a repatriação do ouro.

Mas a questão não é tão simples. O Reino Unido não reconhece a legitimidade do governo Maduro, acusado de fraudar as eleições de 2018. Ao mesmo tempo, as sanções americanas impedem os países de fazer negócios com a Venezuela.

Diante da recusa do Reino Unido em devolver o ouro, o governo venezuelano decidiu processar o Banco Central da Inglaterra. Com uma queda vertiginosa do PIB, que deve bater a casa dos 15% este ano, a Venezuela já anunciou que deve vender o ouro para se financiar.

O líder da oposição, Juan Guaidó, reconhecido pelo Reino Unido e outros 60 países como o governante legítimo da Venezuela, está lutando para manter as reservas de ouro no banco ingês. Guaidó diz que o governo venezuelano deve usar o recurso em benefício próprio.

O escritório Zaiwalla & Co foi contratado pelo governo da Venezuela para conduzir o processo. A firma conseguiu um acordo com o governo britânico em 2019 em uma complexa disputa judicial de 1,3 bilhão de libras por sanções econômicas impostas pelo Reino Unido ao Irã.

A Justiça britânica reverteu esse mês uma decisão da Corte de reconhecer somente Juan Guaidó como líder da Venezuela. Maduro comemorou. “Nosso cliente ficou muito feliz com essa vitória”, disse Sarosh Zaiwalla, sócio do Zaiwalla & Co.

A Venezuela enfrenta uma das piores crises de sua história. O país começou a trocar ouro por assistência técnica de engenheiros iranianos para as refinarias de petróleo. Sem manutenção, as estruturas de captação da commodity correm o risco de colapsar. O Irã mantém boas relações com a Venezuela.

Nos últimos seis anos, o PIB da Venezuela registrou uma queda de mais de 60%. A pandemia piorou ainda mais um cenário que já era crítico. Segundo o governo venezuelano, há mais de 90 mil casos de covid-19 no país, com 777 mortes.